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Entrevista: Dr. Renato Martins

Confira a entrevista concedida pelo Dr. Renato Martins, sobre o papel do fisiatra e as melhores práticas para o tratamento da AME.

Dr. Renato Martins, médico fisiatra do IMREA HCFMUSP

Dr. Renato Martins, médico fisiatra do IMREA HCFMUSP

Qual a importância do acompanhamento do fisiatra aos portadores de Atrofia Muscular Espinhal?

O fisiatra é o médico que se dedica a prevenção, diagnóstico e tratamento não cirúrgico de distúrbios associados a deficiência física, através de estratégias  de reabilitação e manejo de dor. O objetivo do fisiatra é manter e restaurar a funcionalidade. No caso da AME, exemplificando, para os pacientes mais graves, podemos auxiliar, principalmente, na manutenção da saúde articular, muscular e óssea prevenindo deformidades, dores e intercorrências clínicas. Para os pacientes menos graves, podemos ensinar estrategias para economia de energia, sugerir adaptações que possam devolver a função ou fazer com que uma tarefa diária seja executada de forma segura para o paciente.

Quais são os exames básicos necessários anualmente? E porque?

Tendo um foco principalmente na prevenção de deformidades, em nossa prática clínica, pedimos radiografias de todas as articulações dos membros inferiores e também da coluna. Caso exista queixa específica ou deformidade, pode ser interessante radiografia dos membros superiores – as radiografias nos mostram se existe deformidade óssea estruturada ou em formação, como está o crescimento ósseo, se existem desvios na coluna. Os outros exames geralmente são pedidos por outros médicos como pediatras, neurologistas, cardiologistas e pneumologistas, mas o fisiatra deve estar atento, enquanto médico, com os controles gerais do paciente.

Quais são os estímulos importantes diários? Nos membros inferiores e superiores ( braços, mãos, pernas e pés).

Uma vez que a criança pode não conseguir se mexer sozinha, todas as articulações devem ser recrutadas diariamente, algumas vezes ao longo do dia. Tenho verificado em alguns pacientes dor nos pés também pela falta de estímulo tátil – a sensibilidade também deve ser estimulada através do toque com as mãos e eventualmente com tecidos. Já nas mãos, o estimulo acaba acontecendo naturalmente, no contacto diário.

Qual.a importância da equipe multidisciplinar no cotidiano?

Tenho conhecido alguns pacientes com apoio de equipes fantásticas, onde tudo ocorre em perfeição para a boa saúde do paciente, mas infelizmente, esta não é a realidade de todos os pacientes. Cada profissional na equipe é fundamental e a distribuição de tarefas torna o cuidado mais fácil além da discussão em equipe sempre ser enriquecedora em benefício do paciente. Imaginemos uma criança, que apresente uma lesão de pele, que logo no começo é avaliada pela enfermagem, que alerta a fisioterapeuta, que talvez diminua a carga de exercícios, que conversa com a TO para avaliar alguma adaptação, e todos se comunicam com a assistente social, que junto com a enfermagem, podem ter que acionar o médico, que ira avaliar se é necessário algum cuidado maior. Agora imaginemos, que ninguém viu esta lesão de pele ou viu e não comunicou ao outro profissional sobre eventuais cuidados, imaginemos que os profissionais não se ajudaram mutuamente – certamente esta lesão irá virar uma escara. Cada um tem o seu papel, mas o papel de todos é cuidar de um ser humano e, creio que fazemos isso melhor, quando estamos em equipe. Não conheço dado estatístico a este respeito na AME, mas tenho impressão, pela experiência, que a qualidade de vida do paciente seguindo em equipe multidisciplinar é melhor de uma maneira geral.

Temos recebido queixas de familiares sobre médicos que se opõem sobre a fisioterapia motora na AME. Qual a sua opinião sobre?

Certamente a fisioterapia é essencial. Para muitas crianças, a terapia é a melhor forma de socializar e também existe o aspecto lúdico – ambos são imprescindíveis para o desenvolvimento bio-psico-social. A fisioterapia deve ter como foco a economia de energia, a preservação articular, muscular e óssea, assim como trazer algum desafio cardio metabólico, mas sem exageros ou fadiga muscular. Uma tentativa de ganho de força hoje, pode se tornar uma piora na força amanhã – deve-se ter muito critério no caso da AME, sendo interessante que médico e fisioterapeuta estejam em sintonia e familiarizados com a doença.

 O que é escoliose? Tem como prevenir?

Escoliose é o o aumento da curvatura da coluna e é muito comum nos paciente com doenças neuromusculares como a AME. Pela perda do alicerce muscular da coluna, as outras estruturas ficam sobrecarregadas e começam a se “curvar” diante da gravidade. A melhor prevenção é o posicionamento correto do paciente.

Qual a diferença entre contratura muscular e luxação? Quando ocorrem?

Contratura muscular é, grosseiramente, quando um músculo se contrai de forma incorreta e não volta a sua forma anterior, ficando duro e doloroso – ocorre principalmente num esforço voluntário exagerado. Deve-se evitar treino muscular extenuante, evitando a fadiga muscular.

Luxação é quando existe um deslocamento do osso em relação a sua posição habitual. As luxações mais comuns são quadril e ombro. No caso da AME, o principal fator para a luxação é a fraqueza muscular somada a ação da gravidade, mas em muitos casos, apesar da prevenção, podemos não conseguir evitar a luxação. Um aspecto importante é que se for identificada luxação, o terapeuta deve estabilizar a articulação para poder trabalhá-la.

A prancha ortostática é benéfica para todos os tipos de AME? Porque? É necessário uma avaliação antes do uso da prancha? Qual é o profissional que pode ajudar na adequação postural?

A prancha ortostática é muito interessante, mas deve ser avaliada individualmente para cada paciente – tenho por habito liberar prancha somente apos avaliação articular, cardiovascular e verificação de órteses para correto posicionamento. Os benefícios são imensos – ajuda a manutenção de um bom cardio metabólico, aumenta a formação óssea, existe contato dos pés no solo com apoio do próprio peso do corpo (mesmo que parcial), é uma forma de alongar os membros inferiores.

Todos os profissionais envolvidos nos cuidados do paciente devem ajudar na adequação postural, e eles devem ser sempre orientados por alguém com experiencia, o que na maioria das vezes é feito pelo fisioterapeuta ou pelo terapeuta ocupacional.